O que é asma?

Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper-responsividade brônquica e obstrução ao fluxo de ar variável e reversível. Em linguagem simples: as vias aéreas ficam inflamadas de forma persistente, e em resposta a diversos gatilhos, contraem excessivamente (broncoespasmo), causando os sintomas clássicos.

No Brasil, a asma afeta aproximadamente 10% da população e é responsável por milhares de internações e mortes evitáveis por ano — a maioria delas em pacientes sem controle adequado da doença.

Como a asma afeta os pulmões

A inflamação crônica das vias aéreas na asma envolve múltiplos tipos celulares — eosinófilos, mastócitos, linfócitos T — e mediadores inflamatórios. Isso resulta em:

  • Broncoespasmo: Contração da musculatura lisa brônquica — causa a piora aguda dos sintomas
  • Edema da mucosa: Inchaço da parede das vias aéreas, reduzindo o diâmetro
  • Hipersecreção de muco: Produção aumentada de secreção viscosa
  • Remodelamento das vias aéreas: Com o tempo, a inflamação não controlada pode causar alterações estruturais irreversíveis

Sintomas da asma

Os sintomas clássicos são:

  • Chiado (sibilância): Som musical ao respirar, especialmente ao expirar
  • Tosse: Seca, persistente, que piora à noite, ao exercício ou ao frio
  • Falta de ar (dispneia): Sensação de dificuldade para respirar, piora ao esforço
  • Aperto no peito: Pressão ou constrição torácica

Os sintomas costumam ser variáveis — pioram com gatilhos, à noite e nas primeiras horas da manhã, e podem melhorar espontaneamente ou com uso de broncodilatadores. Essa variabilidade é uma característica diagnóstica importante.

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Crise de asma grave — procure emergência se:

Falta de ar intensa em repouso, sem conseguir falar frases completas, saturação de oxigênio abaixo de 92%, ausência de chiado ("tórax silencioso" — sinal de obstrução muito grave), cianose (lábios ou dedos roxos), uso acentuado dos músculos acessórios da respiração.

Principais gatilhos da asma

  • Alérgenos: Ácaros da poeira doméstica, pelos de animais, fungos, pólen
  • Infecções respiratórias: Principalmente virais — rinovírus (vírus do resfriado)
  • Exercício físico: Broncoespasmo induzido por exercício — comum e tratável
  • Ar frio e seco
  • Poluição do ar e fumaça (inclusive cigarro)
  • Emoções intensas e hiperventilação
  • Medicamentos: AINEs (AAS, ibuprofeno) em pacientes com asma à aspirina; betabloqueadores
  • Refluxo gastroesofágico (DRGE): Gatilho subestimado
  • Produtos químicos e odores fortes: Tintas, perfumes, produtos de limpeza

Classificação de gravidade

NívelSintomas diurnosSintomas noturnosVEF1
Intermitente≤ 2x/semana≤ 2x/mês≥ 80% previsto
Persistente leve> 2x/semana, < 1x/dia> 2x/mês≥ 80%
Persistente moderadaDiariamente> 1x/semana60-79%
Persistente graveContínuosFrequentes< 60%

Diagnóstico da asma

Espirometria

O exame padrão-ouro para diagnóstico e acompanhamento. Mede o volume de ar expirado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). Na asma, há padrão obstrutivo (redução da relação VEF1/CVF) com reversibilidade após broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200ml).

Peak flow (PFE)

Medidor portátil do pico de fluxo expiratório. Útil para monitoramento domiciliar e avaliação de crises.

Teste de broncoprovocação

Quando a espirometria é normal mas há suspeita clínica — teste com metacolina ou exercício para demonstrar hiper-responsividade brônquica.

Exames de alergia

Prick test (teste de puntura cutânea) ou IgE específica sérica para identificar sensibilizações alérgicas relevantes.

Tratamento moderno da asma

Escada terapêutica (abordagem por passos — GINA 2024)

O tratamento da asma segue uma "escada terapêutica" — aumenta-se o tratamento até atingir o controle e, quando possível, reduz-se gradualmente.

Medicamentos de controle (preventivos)

  • Corticoides inalatórios (CI): Beclometasona, budesonida, fluticasona — pedra angular do tratamento. Reduzem inflamação, exacerbações e mortalidade.
  • Beta-2 agonistas de longa duração (LABA): Formoterol, salmeterol — sempre usados combinados com CI.
  • Antagonistas dos leucotrienos: Montelucaste — opção adjuvante, especialmente em asma alérgica.
  • Biológicos: Omalizumabe, mepolizumabe, dupilumabe — para asma grave não controlada com outros tratamentos.

Medicamentos de alívio (broncodilatadores de resgate)

  • SABA (Beta-2 de curta duração): Salbutamol (Aerolin®) — uso para crises agudas. Uso frequente indica mau controle.
  • Formoterol + CI inalatório: Pode ser usado como resgate na estratégia MART (diretrizes mais recentes).

Como avaliar o controle da asma

O objetivo do tratamento é o controle completo: sem limitação de atividades, sem sintomas noturnos, uso de resgate ≤ 2x/semana e função pulmonar normal. O ACT (Asthma Control Test) é um questionário validado de 5 perguntas que ajuda a monitorar o controle.

Asma bem controlada permite vida plena

Com tratamento correto e adesão, pessoas com asma podem praticar qualquer esporte (muitos atletas olímpicos têm asma), ter gravidez segura e viver sem limitações. O segredo é não abandonar o tratamento de manutenção quando estiver se sentindo bem.

Asma tem cura?

A asma não tem cura no sentido de eliminação completa da predisposição — mas pode ser controlada ao ponto de não causar limitações. Em crianças, alguns casos melhoram ou entram em remissão na adolescência, mas podem retornar na vida adulta. O tratamento adequado garante qualidade de vida plena para a maioria dos pacientes.

Corticoide inalatório é prejudicial?

Os efeitos colaterais sistêmicos dos corticoides inalatórios são mínimos nas doses terapêuticas — porque atuam localmente nos pulmões. Os principais efeitos locais são candidíase oral (evitável fazendo bochecho após uso) e rouquidão. O risco de não tratar a asma é muito maior do que o risco do corticoide inalatório.