Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Se tiver sintomas preocupantes ou persistentes, procure um profissional de saúde.
O que é uma crise de pânico?
Uma crise de pânico (ou ataque de pânico) é um episódio súbito e intenso de medo ou desconforto extremo, que atinge o pico em minutos e costuma durar de 10 a 30 minutos. Para ser chamada de crise de pânico, precisa incluir pelo menos 4 dos seguintes sintomas:
- Palpitação ou taquicardia
- Sudorese
- Tremores ou abalos
- Falta de ar ou sensação de sufocamento
- Sensação de engasgar
- Dor ou desconforto no peito
- Náusea ou desconforto abdominal
- Tontura, sensação de desmaio
- Arrepios ou ondas de calor
- Formigamento (dormência ou parestesia)
- Despersonalização (sensação de estar fora do corpo) ou desrealização (o mundo parece irreal)
- Medo de perder o controle ou "enlouquecer"
- Medo de morrer
Por que o corpo reage assim?
A crise de pânico é uma ativação maciça e súbita do sistema nervoso autônomo simpático — a resposta de "luta ou fuga" disparada sem uma ameaça real proporcional. O cérebro (especialmente a amígdala) interpreta algo como extremamente perigoso e desencadeia a liberação de adrenalina, que causa todos os sintomas físicos. É uma resposta biológica real — não "coisa de cabeça" no sentido de imaginação.
Diferença entre pânico e infarto
| Crise de pânico | Infarto (IAM) |
|---|---|
| Jovens e adultos, qualquer momento | Mais comum em > 40 anos, fatores de risco |
| Dor no peito: pressão leve, "aperto emocional" | Dor em pressão intensa, irradiação para braço/mandíbula |
| Melhora espontaneamente em 20-30 min | Não melhora espontaneamente |
| Associada a gatilho psicológico | Esforço físico ou repouso |
| Histórico de crises semelhantes | Geralmente primeira vez |
Importante: Na dúvida, sempre prefira ir ao pronto-socorro para excluir causa cardíaca, especialmente se for a primeira crise.
Transtorno do Pânico
Quando as crises de pânico são recorrentes e inesperadas, e a pessoa passa a ter preocupação persistente sobre ter novas crises e começa a evitar situações ou lugares onde as crises ocorreram, configura-se o Transtorno do Pânico — um transtorno de ansiedade que precisa de tratamento específico.
Tratamento
Na crise aguda
Respiração controlada: inspire lentamente por 4 segundos, segure por 4, expire por 6. Isso reverte a hiperventilação. Afastar-se de estímulos excessivos. Lembrar: a crise vai passar e não é perigosa.
Tratamento a longo prazo
- TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental): inclui psicoeducação, exposição interoceptiva e reestruturação cognitiva — altamente eficaz.
- ISRS e IRSN: antidepressivos que reduzem a frequência e intensidade das crises. Efeito em 2-4 semanas.
- Benzodiazepínicos: para alívio agudo, curto prazo.
Lembre-se: a crise vai passar (geralmente em 10-20 minutos) e não é perigosa para sua vida. Concentre-se na respiração: expire mais devagar do que inspira. Se possível, sente-se em local seguro. Afaste-se de estímulos intensos. Evite lutar contra os sintomas — aceitar que a crise está acontecendo tende a encurtá-la. Se possível, tenha alguém de confiança por perto.
Sim — crises noturnas são comuns no transtorno do pânico. A pessoa acorda abruptamente com sensação intensa de medo, palpitação e falta de ar. São particularmente assustadoras porque ocorrem sem gatilho consciente identificável. O tratamento é o mesmo do transtorno do pânico diurno.
Veja também: qual especialista procurar, exames relacionados e doenças relacionadas.