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Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Se tiver sintomas preocupantes ou persistentes, procure um profissional de saúde.

O que é enxaqueca?

Enxaqueca (ou migrânea) é uma doença neurológica caracterizada por episódios recorrentes de cefaleia — geralmente unilateral (um lado só), pulsátil (latejante), de intensidade moderada a grave, com duração de 4 a 72 horas. É frequentemente acompanhada de náusea, vômito, fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (sensibilidade ao som).

Diferente da cefaleia tensional (que é bilateral, em pressão, sem náusea), a enxaqueca tem fisiopatologia complexa envolvendo ativação do trigêmio, alterações no córtex cerebral e neurotransmissores como serotonina e CGRP.

Tipos de enxaqueca

Enxaqueca sem aura (mais comum — 70-80% dos casos)

Dor pulsátil, unilateral, com náusea/vômito e foto/fonofobia. Sem sintomas neurológicos precedentes.

Enxaqueca com aura

Precedida por sintomas neurológicos reversíveis chamados aura: alterações visuais (pontos luminosos, linhas em zigue-zague, escotomas), sensitivas (formigamento), da fala (disfasia) ou motoras. A aura dura de 5 a 60 minutos e precede ou acompanha a dor.

Enxaqueca crônica

Cefaleia presente em 15 ou mais dias por mês, por pelo menos 3 meses, com características de enxaqueca em pelo menos 8 desses dias. Frequentemente associada ao uso excessivo de analgésicos (cefaleia de rebote).

Gatilhos comuns da enxaqueca

  • Estresse e liberação do estresse (fim de semana, férias)
  • Alterações no padrão de sono (dormir demais ou de menos)
  • Desidratação e jejum prolongado
  • Álcool (especialmente vinho tinto) e cafeína
  • Alimentos: queijo curado, frios, glutamato monossódico, chocolate (em alguns pacientes)
  • Mudanças hormonais (menstruação, ovulação, contraceptivos)
  • Estímulos sensoriais: luzes fortes, sons altos, odores intensos
  • Mudanças climáticas e pressão barométrica

Tratamento

Tratamento agudo (da crise)

Anti-inflamatórios (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco) para crises leves a moderadas. Triptanos (sumatriptana, rizatriptana, eletriptana) para crises moderadas a graves — são específicos para enxaqueca e agem no receptor de serotonina 5-HT1B/1D. Antieméticos para náusea. Ergotamínicos têm uso mais restrito.

Tratamento preventivo

Indicado quando há 4 ou mais crises por mês, crises muito incapacitantes ou enxaqueca crônica. Opções: propranolol, topiramato, amitriptilina (clássicos) e anticorpos monoclonais anti-CGRP (fremanezumab, galcanezumab, erenumab — moderna geração muito eficaz).

Qual médico trata enxaqueca?

O neurologista é o especialista de referência para enxaqueca, especialmente nos casos mais complexos, crônicos ou refratários. O clínico geral pode manejar casos mais simples e fazer o encaminhamento adequado.

Tomar analgésico sempre que doi causa dependência?

O uso de analgésicos comuns (ibuprofeno, dipirona) em mais de 10-15 dias por mês pode causar cefaleia de rebote (cefaleia por uso excessivo de medicamento) — o remédio que deveria aliviar acaba mantendo e cronificando a dor. Por isso, o tratamento preventivo é fundamental quando as crises são frequentes.